CADASTRE-SE AQUI para receber nossa newsletter e concorrer ao sorteio, no dia 15/09/2017, de um livro impresso do autor

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Quem é Deus?

Por Juahrez Alves

Fazendo a minha caminhada diária pela orla entre o bairro de Boca do Rio e Pituba, aqui em Salvador, sempre aproveito os dez quilômetros de percurso para refletir sobre algumas questões. Umas delas foi em relação à natureza de Deus.
Allan Kardec, em "O Livro dos Espíritos", cap 1.1, perguntou aos espíritos, "que é Deus?" E eles responderam-lhe: "Deus é a inteligência suprema, causa primeira de todas as coisas". Mas será que essa resposta satisfaz? Bom, é correto afirmar que falta na Humanidade mais um sentido para compreender Deus.
Quando falamos em causa primeira ou primária lembramos do éter cósmico (que a ciência está chamando de partícula de Deus), partícula indivisível, que deu orígem ao átomo. A Criação começou a partir desse contexto, considerando-se que se essa partícula realmente existe, ela teve um Criador também. Complicado, não é mesmo? Todavia, vamos considerar o éter como a primeira ferramenta do Pai na eclosão da vida para compreendermos melhor a Sua natureza.
É notório que do éter veio o átomo, do átomo surgiu a matéria por meio da atração magnética, e assim a matéria foi se condensando e o planeta se formou, o reino mineral estava em plena convulsão, um princípio inteligente comandava todo o processo, que foi o magnetismo. Sem ele, o átomo não surgiria do éter, e nem a matéria surgiria do átomo. Assim, a evolução desse princípio de vida tomou impulso com o objetivo de plasmar na Terra o reino vegetal. Isso aconteceu com a elaboração desse princípio inteligente até se aprimorar ao ponto de haver uma ruptura, surgindo as primeiras plantas.
O reino vegetal também se elaborou durante os milhões de anos para dar um passo a mais que seria o reino animal. Talvez as "plantas carnívoras" e as "águas vivas" foram estágios mais avançados desse reino para que o seu princípio de vida pudesse migrar, moldar e plasmar o reino animal. Nesse reino, o que chamamos de princípio inteligente passou para o estágio da consciência que também passou e vem passando por várias etapas. No reino animal ela é chamada de alma grupal, porque os animais são movidos apenas pelo instinto, onde a consciência ainda é fragmentada. Por esse motivo é que vemos a maneira como se comportam as andorinhas, por exemplo, voando em bando com uma só consciência interagindo e dirigindo todo o grupo por não serem portadoras de individualidade. No entanto, essa porção de consciência vai aumentando e se elaborando rumo ao reino hominal (homem) onde a consciência é individual. Temos o cão como exemplo dessa consciência bastante elaborada, e o macaco como o ser intermediário entre o reino animal e o hominal. Por isso, a frase célebre de Leon Dennis, que sintetiza todo esse mecanismo com simplicidade: "A alma dorme na pedra, sonha no vegetal, agita-se no anima e acorda no homem". Em "O Livro dos Espíritos", também está registrado algo semelhante: "...É assim que tudo serve, que tudo se encadeia na Natureza, desde o átomo primitivo até o arcanjo, que também começou pelo átomo. Admirável lei de harmonia, que o vosso acanhado espírito ainda não pode apreender em seu conjunto!”
Mas agora, depois de tudo explicado sobre os mecanismos da Criação, voltamos a nos perguntar sobre a natureza de Deus, mas como realmente nos falta um sentido para a compreensão de Sua constituição, deixamos o "que é Deus", para nos perguntar quem é Deus. Quem é esse Ser que planejou, arquitetou e aplicou o germe da construção universal na intimidade do éter cósmico, de onde nasceu e continua nascendo a vida?
Baseei-me, primeiro, na resposta dos espíritos a Kardec, que Deus é a inteligência suprema, e depois na questão da alma-grupo. É relevante que se nos animais a alma é grupal, fragmentada, e no ser humano é individual, essa consciência individualizada é comandada por algo superior denominado nesse conceito como inteligência individual, que são os espíritos perfeitos, anjos ou como queiram chamá-los.
Portanto, se da alma grupal dos animais surgiu a consciência individual dos seres humanos, dessa consciência individual veio a inteligência grupal própria dos seres inteligentes ainda em evolução, mas na medida em que essa inteligência-grupo vai evoluindo, vai também se emancipando tornando-se inteligência individual emancipada que é a condição dos deuses ou espiritos puros depois de sua passagem no reino hominal. Por essa razão que o homem foi criado para viver em sociedade, motivo de sua inteligência grupal.
E Deus? Pois, assim como os animais são alma grupal, os seres humanos, consciência individual, mas com inteligência grupal, e os anjos, inteligência individual emancipada, Deus é a Inteligência Individual Suprema.